Permite um menor tempo de recuperação, com retorno precoce as atividades laborais.

Trata-se de uma moderna técnica cirúrgica que possibilita a abordagem da cavidade abdominal para a realização de diversos procedimentos cirúrgicos, através da introdução de uma ótica acoplada a uma microcâmera por uma incisão, quase sempre, na cicatriz umbilical e de mini-incisões na parede abdominal para a introdução do instrumental cirúrgico. Essas pequenas incisões geralmente são de 5 a 10 mm de tamanho.

Para obter um bom campo cirúrgico, a cavidade abdominal é insuflada com gás carbônico através da primeira incisão (umbilical) por onde a ótica é introduzida., facilitando e ampliando a visão do cirurgião.

Por estas características esta técnica é conhecida como minimamente invasiva e, atualmente, praticamente todos os procedimentos cirúrgicos podem ser realizados de maneira minimamente invasiva, sendo raras as necessidades de cirurgia aberta, como no passado., mesmo àquelas de grande complexidade.

A VIDEOLAPAROSCOPIA LAPAROSCÓPICA permite ao paciente um menor tempo de recuperação cirúrgica, com retorno mais precoce às suas atividades laborais. Através desta técnica temos ainda como resultados: menos dor no período pós-operatório, menor risco de infecção, menor perda sanguínea no período pré-operatório e melhor resultado estético.

USOS MAIS FREQUENTES DA VIDEOLAPAROSCOPIA:

Temos sido capazes de executar quase todos os procedimentos urológicos por videolaparoscopia. Essa técnica é a primeira escolha, em grandes centros de urologia no mundo, para a extração de tumores renais e prostáticos, ressecção de cistos renais, reimplante ureteral, correção de fístula vesico-vaginal, tratamento da obstrução da junção ureteropélvica (pieloplastia), cistectomia radical, e assim por diante.

  • Prostatectomia Laparoscópica
  • Nefrectomia Parcial Laparoscópica
  • Pieloplastia Laparoscópica
  • Cálculos Renais e Ureterais

A PROSTATECTOMIA RADICAL LAPAROSCÓPICA (PRL) é uma forma moderna de prostatectomia radical. Este é um tipo de cirurgia usado para remover a próstata e as vesículas seminais como uma opção de tratamento para o câncer de próstata e, em seguida, anexar a uretra diretamente à bexiga.

Contrastando com a forma original da cirurgia aberta, a prostatectomia radical laparoscópica não faz uma grande incisão. Em vez disso, este procedimento cirúrgico é minimamente invasivo e conta com tecnologias modernas, como a fibra ótica e a magnificação da imagem pela visão ampliada, para realizar a cirurgia de forma precisa.

A PRL é realizada sob anestesia geral (o paciente está dormindo) e leva aproximadamente três horas, em comparação com as 2-3 horas exigidas por uma técnica aberta com incisão. Depois disso, a maioria dos pacientes passa 1 a 2 noites no hospital antes de voltar para casa, diminuindo a média de 3 noites exigida por uma prostatectomia radical aberta. Homens submetidos a PRL terão um cateter (pequena sonda) passado através da uretra que irá permanecer no local durante aproximadamente uma semana. Devido à melhor visualização das estruturas, é realizada uma anastomose mais perfeita, com menor extravasamento de urina, permitindo a retirada mais precoce da sonda vesical. São várias as vantagens da LRP: menor índice de infecção, redução da dor pós-operatória e do sangramento, um menor período de hospitalização e um retorno mais rápido às atividades normais.

Outro importante fator na prostatectomia por neoplasia de próstata são os resultados funcionais. O primeiro aspecto relaciona-se à continência urinária (perda involuntária de urina). Felizmente a sua ocorrência gira em torno de 3 a 5% dos casos; porém, logo após a retirada da sonda é normal o paciente apresentar um grau de incontinência transitória que varia de 1 a 3 meses. Outro importante fator a ser analisado é a potência sexual. A chance de ocorrer esta complicação é muito variável, pois vários fatores estão envolvidos na preservação da ereção, como o tamanho e a agressividade do tumor, a idade do paciente, as co-morbidades que este paciente apresenta no pré-operatório (ex.: hipertensão, diabetes, cardiopatia), fatores psicológicos, além da experiência do cirurgião que irá realizar este procedimento. Atualmente, a maioria dos pacientes potentes no pré-operatório, sem comorbidades significativas e com tumores iniciais permanecem potentes após 6 meses a 1ano da realização do procedimento.

Em certos homens, uma abordagem com preservação dos nervos pode ser utilizada. Os nervos que são poupados são os que suprem o tecido erétil no pênis. O objetivo da PRL é em primeiro lugar curar o homem do câncer de próstata, mas também maximizar os resultados funcionais após o tratamento. A literatura médica especializada nos mostra que com a preservação destes nervos existe uma taxa muito mais elevada de ereções espontâneas após a cirurgia e que o retorno à função urinária normal também é muito melhor.

Tal como com qualquer operação por vídeo, a prostatectomia radical laparoscópica está associada a um risco de conversão para cirurgia aberta do câncer de próstata; no entanto, este risco é extremamente baixo.

Por se tratar de um procedimento de grande porte, outras complicações podem ocorrer; porém, estas complicações costumam ser infrequentes em centros de excelência no tratamento do câncer de próstata.

Na junção da pelve renal (onde a urina é recolhida após ser produzida pelo rim) e do ureter (tubo de ligação entre os rins e a bexiga) pode haver um bloqueio, conhecido como estenose de JUP (junção ureteropélvica). Na maioria dos casos é um estreitamento congênito (pessoas que nascem com esse problema). Uma proporção significativa de pessoas afetadas com a doença também terá um vaso sanguíneo adicional para a parte inferior do rim que pode comprimir a JUP, resultando em um bloqueio. Embora, em muitos casos, o problema exista desde o nascimento da pessoa, muitas vezes não lhe causam problemas antes da vida adulta. O mais comum é a dor sentida no rim afetado piorar quando maior quantidade de líquido é ingerida, o que resulta em maior produção de urina e consequente dilatação do sistema acima da obstrução que provoca a dor.

Tradicionalmente, esse problema tem sido corrigido com uma operação aberta. Os resultados dessa operação são excelentes, mas o lado negativo é que uma grande incisão pode causar dor significativa e a recuperação será lenta e esteticamente desagradável. Ao longo dos anos, várias tentativas têm sido feitas para neutralizar esse lado negativo, tais como as técnicas endoscópicas (operações realizadas internamente, através da bexiga, sem a necessidade de incisões na pele). A vantagem óbvia é que não há incisões; no entanto, a desvantagem é que as taxas de sucesso desses tratamentos é de cerca de 15 a 20% menor do que nos tratamentos em que o bloqueio é removido e a JUP reconstruída.

A PIELOPLASTIA LAPAROSCÓPICA tem a vantagem de reconstruir a JUP, evitando uma grande incisão e os problemas dela decorrentes, sendo considerada atualmente o melhor tratamento da estenose de JUP. São feitas três ou quatro pequenas incisões (cortes na pele) e por elas são introduzidos instrumentos especializados e câmeras microscópicas. Realizam-se então a remoção do segmento estreitado e a reconstrução do sistema. No final da operação, um cateter ureteral (pequeno tubo plástico) será deixado internamente por quatro a seis semanas.

NEFRECTOMIA é o termo médico empregado para a retirada de um dos rins.  Esse procedimento é comumente indicado para casos de tumor maligno, perda de função renal com risco para a saúde do paciente e, em casos de doação inter vivos para transplante renal. Normalmente, a retirada de um dos rins é bem tolerada pelos pacientes desde que o rim remanescente seja normal. Poucas restrições são indicadas para esses pacientes. É necessário um acompanhamento da função renal com exames de urina, de sangue e ultrassonografia, com uma periodicidade variável conforme a idade e as patologias associadas. Os pacientes portadores de rim único devem cultivar, ainda com mais afinco, hábitos saudáveis, como toda a população em geral.

No passado, utilizava-se uma grande incisão na parede lateral ou anterior do abdome para a retirada do rim. Devido à extensão da incisão, era necessária a secção de uma grande quantidade de músculos, o que acarretava uma recuperação pós-operatória prolongada e, consequentemente, uma difícil aceitação pelos pacientes. Atualmente, a maioria absoluta dos casos de retirada de rim pode ser realizada por videolaparoscopia, que consiste na realização, na parede abdominal, de 3 a 4 orifícios, medindo 0,5 a 1,0 cm, através dos quais realiza-se todo o procedimento cirúrgico. Instrumentos especializados, incluindo câmeras microscópicas, são então utilizados para permitir uma visão ampliada da área focalizada, o que facilitará a precisão cirúrgica.

Nos casos em que o rim não precisa ser removido por inteiro, ele pode ser retirado em fragmentos por um destes portais. Quando é necessária a retirada intacta do órgão (nos casos de tumor maligno e doação para transplante renal), utiliza-se de uma pequena incisão na região mais inferior do abdome, sem a necessidade de secção de músculos. Esta incisão, conhecida tecnicamente como incisão de Pfannenstiel, é a mesma utilizada para gestantes em partos cesarianos, apresentando um excelente resultado estético, com pouca dor pós-operatória.

A operação é realizada com anestesia geral e dura cerca de 2 horas. A utilização da videolaparoscopia para retirada dos rins é considerada um dos grandes avanços da urologia nos últimos anos, pois apresenta menos dor, menor tempo de internação hospitalar
(24 horas em muitos casos), menor sangramento, retorno mais rápido às atividades normais e resultado estético muito melhor que o alcançado pela técnica aberta tradicional. Quando a operação está sendo realizada para remover um rim que apresenta um crescimento canceroso, a taxa de cura é igual à alcançada pela intervenção aberta.

A NEFRECTOMIA PARCIAL LAPAROSCÓPICA é uma modalidade cirúrgica segura e eficaz para retirar um pequeno tumor renal, preservando o restante do rim. É uma técnica minimamente invasiva, que fornece aos pacientes mais conforto, e resultados equivalentes aos da cirurgia aberta tradicional.

Quando comparada à técnica convencional, a nefrectomia parcial laparoscópica obtém significativas vantagens: menos dor pós-operatória, menor tempo de internação, retorno mais rápido às atividades diárias e resultados oncológicos idênticos aos da cirurgia aberta. A nefrectomia parcial tornou-se um procedimento- padrão para selecionar pacientes com carcinoma de células renais (especialmente as de dimensões menores que 4cm, perifericamente localizadas). Os resultados da nefrectomia parcial são menos satisfatórios em pacientes com tumores maiores, adotando-se, então, a nefrectomia radical (remoção do rim inteiro) como abordagem- padrão.